Ameaçou chuva,
E choveu.
A tarde ficou escura,
Daquelas tardes em que a chuva
Bate com intensidade nas vidraças.
Um pouco antes de anoitecer -E os fantasmas saem mais cedo
Para passear.
Fantasmas que pertencem
A um tempo antigo, passado,
Em seus gestos e conversas,
Em sua aura ancestral.
Com a chuva caindo intensa,
As recordações povoam
Os cômodos escuros e desertos da casa,
Onde uma goteira ou outra molha o chão.
E, com essas goteiras e o som da chuva,
Entre o murmúrio da água correndo célere
Pelos quintais, buscando para além dos canteiros,
Buscando para além das guias, as quais levam
As águas para o rio,
Atente bem, e poderá ouvir o som que fazem
As almas,
Conversando conversas antigas,
De coisas, épocas e gentes
Que já se foram.
A tarde, escurecida pela chuva,
Faz a noite chegar mais cedo,
E os fantasmas saem para passear,
Nas alamedas tranquilas, silenciosas, molhadas,
Das recordações
Dos Tempos atrás.
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