Eu o conheci criança. Quase uma criança de colo. Negro. Filho da Cicera.
No inverno vinha o Ariel com uma blusa de flanela somente com o primeiro botão abotoado. O primeiro de cima. Às vezes vinha com manha. Às vezes vinha calmo.
E nisso, muitos anos passaram. Todos foram de crianças para os adultos.
A Cicera? A nossa amiga Cicera morreu em um momento do caminho. Deixou o Ariel de olhos tristes, de inteligência fina, de dedos rápidos. Um mágico! Um mágico como Michael Jackson, um gênio do entretenimento, um gênio dos sonhos. Um gênio da liberdade, da alma solta, ao vento, como o vento, ou como as folhas secas levadas por ele, o Vento.
Levitava em minha sala, fazia moedas atravessarem a mesa sólida de
madeira. Fazia objetos aparecerem nos mais inusitados lugares. Trazia
pombas, coelhos, cambaxirras nas mangas. Divertia as crianças. Espantava
os adultos.
Ariel, livre como o pensamento, Ariel, livre como vento. Ariel. Uma das cinco grandes luas de Urano. Ariel, nome de anjo. Ariel, quase um anjo caído.
Ariel, o Mágico, passou vários anos pelas nossas vidas, até mesmo após a morte de sua mãe.
Ariel, amigo; por vezes penso, que aqueles distantes dias já pertencem a uma outra vida.
Ariel, que se projetou no Tempo, na magia do Tempo, e foi a contento, acompanhando um circo, o Mágico do Circo, de estrepolias inocentes, de doce magia, entre pipocas e algodão doce colorido, de truques magníficos, sobrenaturais.
Ariel, o Mágico dos Mágicos, tocado pelo Anjo, tocado pela Inteligência, tocado pela Magia de ser ele mesmo.
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