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4 de mar. de 2017

Cata Ossinhos (7)

Hominem Occultem Vitriol Inri Gnoseis Ad Sapientia

O moço da papelaria solicitou mais dados para poder confeccionar o carimbo de borracha.
- Mais informações?
- Ora, amplie uma cópia do carimbo para que os detalhes possam ser melhor visualizados, comentei.
- Mesmo assim fica difícil elaborar uma cópia. Não é possível trazer o original para tirarmos uma matriz?
- Creio que tal providência seria no mínimo surrealista, argui.
- E por que?
- Por que? Bem o carimbo foi enviado dos EUA em meados dos anos de 1970 quando da inauguração de nossa Loja por aqui. E esse carimbo encontra-se sepultado com o meu amigo Zé Antonio desde dezembro de 1986, respondi.

Cata Ossinhos (6)

A luz do Sol descia, oblíqua, por entre as frestas dos galhos das árvores e dos telhados das antigas mansardas.
Algumas delas mal assombradas.
Naquele momento, sob a luz coada através da poeira, lançando sombras sobre os recônditos dos quintais antigos, falávamos dos mortos.
Dos mortos de todos os tempos, dos nossos, dos outros, dos gatos do Cemitério.
Há algo estranho nesse ritual macabro que não deixa resquícios além dos pequenos cadáveres.
Um vento súbito, frio e sujo agitou as folhas secas na calçada, na rua, para além de todas as calçadas e ruas, para além dos limites de todas as cidades e do Tempo.
O amigo comentou o adiantado da hora, a necessidade de comprar o pão, de apanhar a companheira no serviço, aquelas coisas triviais e consistentes com a realidade vivida, aquela realidade que nos acompanha do berço ou túmulo.
Falávamos do mortos.
A última réstia de luz se apagou de sobre o telhado da capela.
Na sequência, abotoar a blusa de frio, despedir-se, dar partida na máquina e mergulhar na tarde fria de todas as tardes.
Até um outro dia qualquer. Falávamos dos mortos.

Cata Ossinhos (5)

Era Agosto. 1967.
O lugar onde hoje está instalada uma grande escola na Rua Capitão Salomão.
Antigamente havia ali uma pedreira de onde extraíram material para a construção dos Campos Eliseos, do Ipiranga, da Vila Tibério.
Amplos campos de antanho se estendiam por ali.
Em mãos uma lanterna de corpo metálico e duas lentes dos óculos dispensado pela nona.
No lugar do refletor, uma lente.
No outro extremo, junto à tampa para introdução das pilhas, um pequeno furo e uma outra lente.
Enroscando-se e desenroscando a tampa, alterava-se o foco. Uma luneta!
E com ela o Universo ficou mais perto.
Um avião deslocava-se no céu naquele momento. Era um monomotor, branco e vermelho.
Meio século mais tarde ocorreu-me pensar que avião era aquele e quem o conduzia em direção ao aeroporto.
Coisas do Passado.
Todos os dias, em todas as Eras de um Tempo Passado, morto, aviões e meninos cruzam os céus rumo à Eternidade.

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