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8 de mar. de 2014

A Casa do Tião Macalé

Acordei de um sono intranquilo, ainda com os ecos do sonho incabado ecoando nos ouvidos.
Em algum lugar da vizinhança realizava-se uma festa.
O ruído surdo de cantorias era acompanhado de estouros. Estouros fracos mas audíveis.
Verifiquei as horas.
Passava um pouco da uma da manhã.
Levantei e dirigi-me até o quarto dos fundos.
A noite estava tranquila, sem vento, e o calor dos últimos dias ainda refratava nos telhados escuros. 

Ouvi outros estouros. Cheguei a conclusão que deveria ser balões e que tudo fazia parte das comemorações na festa que avançava pela madrugada.
Olhei pela janela na direção oposta.
As casas eram silhuetas escuras na noite sem luar.
Destacando-se mais alta, a casa do Tião Macalé na rua abaixo.
É um sobrado, e o Macalé que é artista plástico renomado, deu a sua residência um aspecto singular.
Na parte superior foram usados diversos tipos de materiais e diversos tipos de cobertura.
Observada à luz do dia, a casa tem um aspecto e cores bem diferentes das demais do entorno.
Reflete a verve criadora do seu morador.
Mas, naquele instante, outra coisa chamou-me a atenção na noite escura.
Uma miríade de pequenas luzes coloridas percorria toda a parede do sobrado distante, uma corrente de luzes coloridas, infinitas, como se centenas de pirilampos subissem e descessem pelas paredes. Se houvessem pirilampos com outras cores além do verde.
Foi uma onde incrível de luz intensa, fenômeno que durou alguns segundos, para logo em seguida desaparecerem.
Recortada contra a escuridão, ficou apenas uma janela fracamente iluminada, na parte mais alta da casa, como se tivesse sido deixada acesa uma vela.
Essa mesma luz oscilou por alguns instantes e finalmente também apagou-se, permanecendo tudo nas trevas que envolviam a noite tépida.
Permaneci por mais algum tempo observando, mas as luzes não tornaram a aparecer.
Como para o conhecimento humano deparam-se mais mistérios do que soluções, registro mais esse fato.

O famoso escritor inglês Edward Bulwer-Lytton e seu conto A Casa e o Cérebro, publicado em 1859, descreve efeito semelhante.
Na noite em questão, 16 de setembro, tive a oportunidade de observar a plástica da ocorrência na obra literária do citado autor.
Luzes intensas e coloridas nas noites escuras podem ser transmigrações de espíritos.

Mas, realmente, a noite continuou agitada entre um despertar brusco e ecos ainda a ribombar na noite.

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