A História da região começou em 1887.
Com o Núcleo Colonial Antonio Prado.
A cidade passou a desenvolver-se para a região Norte.
Desde três décadas passadas que haviam algumas poucas ruas no entorno da região central.
Para aqueles lados, nos descampados que acompanhavam a linha da Mogiana deveria ocorrer a propagação do progresso.
Por aquela época construiu-se o Matadouro Municipal.
Um esboço do progresso no espaço a ser ocupado nas margens do rio.
Veio a Cerâmica São Luiz. Vieram as fábricas de linguiça dos açougueiros portugueses.
A fábrica de adubo.
Havia a termoelétrica que fornecia energia para as indústrias da região.
Vieram os frigoríficos, primeiro o Morandi e mais tarde o Marchesi.
Havia a Indústria Matarazzo e a recuperadora de óleo lubrificante do Archimedes Barbieri.
Havia a Fábrica de Bebidas Santo Antonio do Gino Alpes.
O acesso a esses espaço passou-se a chamar Rua Industrial.
De florescente progresso.
Caldeiras e fornos funcionando, cheiro de lenha queimando no ar.
Centenas de funcionários transformavam esse lugar em um local bastante movimentado durante o dia.
Durante os anos que se seguiram a Segunda Grande Guerra, houve muita prosperidade por lá.
Pela linha férrea da Mogiana chegava o gado.
Mais além, havia o leito da Ferrovia São Paulo/Minas.
Passageiros, cargas, movimento.
Havia o transbordamento de atividades.
Havia o transbordamento de energia.
Havia a crença na possibilidade de dias melhores.
Mas, há o fluir do Tempo, e nesse interstício existe também os planos do Destino.
É interessante notar que, após um período próspero costuma ocorrer a decadência.
As situações, os interesses modificam-se.
Passa a ocorrer uma desernegização
Um a um, os fornos e caldeiras foram-se apagando.
E de um lugar transbordante de atividade, foram cerrando-se as portas, desviando-se os caminhos.
Um dia, a São Paulo/Minas parou de correr.
Mais uma caldeira fria, mais uma chaminé que não exalava a sua fumaça fabril.
As pequenas casas comerciais, bares e empórios viram a sua freguesia diminuir.
Fecharam.
E com o passar dos anos, uma a uma, as fábricas foram deixando de existir.
Nas calçadas antes movimentadas por passos apressados, passou a existir o capim nas gretas do piso.
As paredes sem caiação descoloriram. Mais algumas portas fecharam-se.
Para sempre.
Algumas construções ruiram.
Primeiro o Matadouro Municipal, depois o Frigorífico Morandi, depois o Frigorífico Marchesi.
Resistiu mais um pouco a Cerâmica.
Mas seus fornos também apagaram-se.
A fábrica de bebidas do Gino Alpes, mais o trânsito da Mogiana, complementaram os últimos estertores.
As sombras, o abandono, as folhas secas correndo pelas calçadas e pela rua passaram a ser os seus ocupantes.
Hoje, caminhando pelo local, ficam somente as lembranças e uma ou outra visagem do antigo esplendor.
Na hora calma e silenciosa que antecede a noite, naquele momento em que o
dia ainda não é noite, e a noite reserva um pouco do dia, pode-se, lá
no fundo dos sentimentos, lá no fundo da imaginação perceber-se a aura
dos tempos pretéritos.
Há um constante processo de renovação e retorno.
Talvez necessário.
Por vezes, nem tanto.
As coisas, as pessoas, os sentimento fundem-se no vórtice do Tempo que a tudo leva, por vezes devolvendo um detalhe ou outro.
Nesse giro mágico de trocas e reposições, os lugares mudam, fenecem, mas a energia fica.
Contra
a luar, nas noites calmas um ou outro diz perceber luzes vazando pelas
janelas dos antigos prédios e uma movimentação febril naquelas antigas
indústrias, hoje demolidas, naquelas estações ferroviárias abandonadas.
Dizem também perceber o odor tênue da madeira queimando.
Tal como nos dias de fornos e caldeiras.
E um e outro chegou a comentar a respeito dos fárois das locomotivas rasgando a escuridão.
Moravam no entorno.
Eram vizinhos. Conheceram a época do esplendor.
Todos eles já partiram.
Mas as lembranças ficaram.
Essas conversas animavam as reuniões dos amigos sentados pelas calçadas do bairro antigo.
Da Rua Rio Grande do Sul era possível vislumbrar todo o vale, próximo ao rio.
Houve também aqueles que referiam-se ao proferimento de um anátema.
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