Ribeirão Preto sempre foi uma cidade eclética.
Também em religião.
Povos de diversas origens que vieram para cá, trouxeram a sua religiosidade.
Europeus, africanos, orientais.
A cidade sempre controu com templos religiosos para a contemplação da Fé nas mais variadas formas.
Houve também os Mágicos.
Os Mágicos seguidores do Grimoire.
Nos anos de 1920, 1930 e 1940 formaram-se alguns grupos de Mágicos.Acima de qualquer Litúrgia, esses mágicos procuravam associar-se as Potestades para atingir os seus objetivos.
Do Bem ou do Mal.
Na
época citada, o mais famoso dos grupos reunia-se no prédio anexo a
pequena igreja da Avenida Saudades, no qual o acesso era na Rua Rio de
Janeiro.
Assim relatou um velho e querido amigo o qual de há muito partiu.
No andar superior, com o piso de pranchas de madeira, eram realizados os rituais.
O pentagrama, velas, sombras oscilantes nas paredes.
Os mágicos buscam a longevidade, o alcaester, a pedra filosofal.
Buscaram também aqui, em Ribeirão Preto.
Entre eles havia o Mago Mestre Aristides P. da F.
O objetivo de Aristides era a Longevidade.
Uma vida que superaria em duração o tempo comum de vida, ultrapassando um século, ou dois, ou mais.
Havia, contudo, a necessidade de atingir um determinado tempo de vida por aqui.
Depois desse momento aconteceria o tempo adicional, buscado através da Magia.
Esse tempo terreno, material não foi atingido.
Aristides P. da F. de há muito repousa no Cemitério da Saudade.
Mas, e aqueles que conseguiram?
Nos anos que aquele grupo de mágicos atuavam, os nomes esquecidos pelo Tempo nada mais dizem.
Um ou outro conseguiu superar as barreiras físicas e penetrado no espaço da Magia.
Tanto daquele grupo, como de grupos anteriores e posteriores.
Podem estar a vagar pelo mundo em busca de consolidar aquilo pelo que buscavam e no comprometeram a sua Eternidade nessa tarefa.
Mistérios.
Inefáveis mistérios.
Por vezes a vida flui de outra maneira que não no senso comum, cotidiano.
E
os lugares nos quais ocorreram fatos insólitos passam a exibir essas
característica de mistério, até que sejam apenas lugares abandonados,
evitados, demolidos.
Há oportunidades em que vicejam essas consequências mesmo após a existência de outra construção no local.
Lugares que não auferem de paz.
São os espaços perturbados.
Há muitos distribuídos pelos bairros antigos, repletos de histórias e lendas.
Esse local, aonde atuava o Mágico Aristides, ainda existe.
Aqueles que trafegam pelo passeio público veem apenas algumas janelas gradeadas.
Aqueles que chegam a observar as fachadas, notam um edifício antigo, mal conservado, com janelas no andar superior.
Devido ao abandono permite ver a luz do sol escoando por entre as frinchas do telhado.
Os
mais sensíveis já comentaram que, diante do portão de madeira de duas
folhas o qual guarda a entrada do local, nas horas tardias da madrugada,
percebe-se a passagem de um vórtice tremendo, atemporal, de vozes
trazidas pelo vento, de algum lugar, talvez do andar superior, talvez de
um ponto mais distante, e uma transformação sútil do espaço entorno,
para quando a iluminação pública era mais precária, o pavimento da via
era de um macadame poeirento, haviam tufos de capim nas rachaduras das
calçadas.
E as apariçoes de vultos escuros, movimentando-se na entrada desse mesmo edifício, através da porta de madeira de duas folhas.
Tudo
o mais envolvo no mais absoluto silêncio como se, naquele momento,
estivesse sido deslocado um pedaço do Espaço/Tempo, sob outras
configurações das estrelas no céu baço.
Das janelas lá no alto, bem afastadas da calçada, escoa uma luz tênue, amarelada.
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