Atento, atento, Estação Etrúria, PX-...
O sinal viaja pelo espaço, em busca de uma antena receptora.
Informa a Ciência que as ondas de rádio geradas pela Natureza ou pela tecnologia do homem, propagam-se pelo Espaço.
Essa é a base científica que fundamenta os rádiotelescópios.
Antenas
gigantescas levam pelo éter sinais de rádio que partem de possantes
transmissores em busca das regiões interditas do cosmo, procurando
sensibilizar outras culturas que possam existir para além do nosso
sistema solar.
Diz também a Ciência que, essas ondas podem refletir
em distâncias einstenianas, e, devido as particularidades descritas na
Lei da Relatividade, voltarem para os pontos de onde foram originadas.
Após um longo espaço de tempo aqui na Terra.
Distâncias impensáveis. Medidas a ano-luzes.
Uma relatividade criada pela grande velocidade das ondas hertzianas.
Velocidade da luz.
Velocidade que curva o espaço, criando um atalho por entre as galáxias.
Tudo isso passa a acontecer quando se pressiona o botão do microfone.
Espaços intergaláticos.
Imensidões inimagináveis.
Ondas que se propagam na velocidade da Luz.
Atento! Atento! Estação Etrúria, PX-...
Os sinais de rádio dentro da noite, transformando-se em som no alto falante.
Uma rotina.
Uma rotina que desencadeia fenômenos eletromagnéticos que podem prosperar para muito além do mundo conhecido.
Que podem prosperar para muito além de todas as vidas, em um Universo longíquo, atemporal, longe de todas as eras.
A humanidade passou a propagar ondas de rádio pelo atmosfera exterior e
pelo Universo de incontáveis estrelas há pouco mais de um século.
A Estação Etrúria estava todos os dias no ar.
Avançou por toda a década de 1980 e parte da década de 1990.
Diariamente.
Junto com milhares de outras fontes emissoras,
propagava os sinais pelos cantos do mundo, e, segundo a Física, para
muito além desse mundo e de outros, insondáveis.
A utilização de rádio nas comunicações locais e para outros pontos distante no planeta era comum.
Com uma boa propagação, devido a fenômenos magnéticos que ocorrem na Ionosfera, os sinais iam para o outro lado do planeta.
Quando as ondas não eram refratadas, encontravam o caminho do Infinito.
O nascimento do meu filho E_, foi comunicado através da fonia no Canal 5, o combinado era o Canal 5.
Era uma noite de muita chuva em Outubro de 198_.
Muitas outras notícias vieram pelo Canal 5.
Vários anos se passaram.
Um dia a Estação Etrúria saiu do ar para nunca mais.
Daquelas situações sem retorno, que ficam aos cuidados da Eternidade.
Vários outros anos correram nos calendários da Terra.
Em uma
noite, manuseando um velho equipamento transcepetor de rádio, vim a
conectá-lo na fonte de energia e uma antena precária, instalada no
beiral da casa, e sintonizei o aparelho no Canal 5.
As horas já se faziam tardias, o silêncio na casa, na rua, naquele pedaço de mundo era intenso.
Luzes
indicativas acenderam no pequeno painel do rádio, e o ruído
característico de estática encheu a calma silenciosa do momento.
Continuei com outros afazeres, organizando alguns livros, ao som constante do rádio, com variações na intensidade da estática.
Em
um dado momento, interrompendo o crepitar constante das ondas
eletromagnéticas que viajavam pelo espaço em busca da minha antena, o
som que predominou, uma voz cava, vindo de incontáveis descortinares de
anos e distâncias cósmicas, contudo intensa e viva, sobrepujou os
demais ruídos e exclamou:
Atento! Atento! Estação Etrúria!
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