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8 de mar. de 2014

O Mestre Minelli

Imbuia e peroba.
Suas madeiras preferidas.
Durante décadas Minelli trabalhou principalmente essas madeiras em seu torno rotativo.
Por anos e anos foram (produzidos) criados balaustres, pés de mesas e cadeiras, cabides, luminárias, abajures, canetas, piões.
Os maravilhosos piões que coloriram as brincadeiras de três gerações.


Essas peças de arte, trabalhadas a nível de maestria, cinzeladas nas rotações do torno com formões de várias formas e tamanhos, e medidas em seus diâmetros por compassos de pontas retas e de pontas curvas constituiram obras únicas. Tão grande era a personalização desse trabalho estétito que poder-se-ia dizer que "essa peça é um Minelli".
O aprendizado é uma situação complexa.
Mais do que saber fazer, é saber sentir.
Minelli produziu milhares de peças durante a sua vida profissional.
Quando, ainda hoje, deparo-me com trabalhos por ele desenvolvidos, percebe-se uma peça única em seu lavor.
Existem muitos móveis confeccionados com as suas peças.
Existem inúmeras casas requintadas que contam com o adorno de suas peças nas escadarias.
A obra sobrevive ao seu criador.
Talvez por esse mesmo motivo o criador sobrevive juntamente com as obras as quais criou.
Nada é totalmente solúvel ao ponto de nada restar.
As irradiações das ações e dos objetos propagam-se no Espaço Tempo Contínuo.
A Física Quântica até aonde a mente humana conseguiu alcançar afirma esses valores de energia.
E através desses conhecimentos, podemos indagar o Plano da Espiritualidade.
Podemos divagar

Hoje, muitos anos após as maravilhosas experiências da infância, quando, em inúmeras oportunidade pude observar o mestre executando a sua arte, entre o perfume de madeiras nobres, penso em como deveria pensar e entender Minelli alguém como Louis Comfort Tiffany.
O mestre escultor de madeiras nobres. Hoje raras.

Mas os gênios vivem seus mundos.
Particulares.
Mundos atemporais.

Hoje, muitos anos após as inúmeras madrugadas frias quando o homem começava a trabalhar, exercendo as suas capacidades sobre a madeira bruta, entre xícaras de café e cigarros, com uma luz tênue sobre a máquina de onde voavam lascas de madeira, não é possível deixar de pensar em um tempo pretérito, aonde vigiam outros valores, outra estética, outra ética.
E os anos sucedem-se.
As vezes rápidos, as vezes lentos, mas que amontoam-se, embaçam as lembranças, fazem-nos esquecer rostos, vozes, ações, precipitando tudo no vórtice da Eternidade.

Os lugares mudam, as pessoas partes, no ciclo próprio da troca e renovação das energias.
Por vezes alguns voltam, com a mesma aparência de quando partiram.
A isso chamamos de fantasmas.

Por muito tempo ainda, após a partida do Mestre Minelli, ouvir os sons dos seus trabalhos, sob a luz branda, amarelada da luz fraca, sobre o torno, nos albores da madrugada, entre o odor das madeiras e do café coado de pouco,  do lado de cá do muro rústico na divisa dos terrenos da Rua João Ramalho,
é uma sensação, um fenômeno, o qual, em meu entendimento, mescla a Física e a Espiritualidade.

Um comentário:

  1. Grande lembrança de nosso bairro,os grandes trabalhadores que fizeram história.Parabens Aristides.

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